sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Anda cá vou contar-te uma história...ou duas


Por vezes travo a língua para que não digam que tenho a mania de "chica esperta". Gosto de falar das coisas com a frontalidade merecida e fundamento bem a minha opinião, caso contrário não a manifesto.

Como já disse anteriormente, o tema da gravidez suscita-me muito interesse, como tal, para além de experiência pessoal, gosto de ler sobre o assunto ...e ás vezes leio com cada coisa....

Estive grávida duas vezes e foram completamente distintas, mas ambas foram experiências maravilhosas, que me possibilitaram distinguir o que acho ser o melhor , porque felizmente tive essa opção. 

Quando me dizem que o ideal é levar epidural porque se evita dor e se disfruta do parto da melhor forma, não posso concordar. Mas, o que me permite discordar desta premissa é o facto de ter passado pelas duas experiências. O primeiro parto com epidural, sem dor, mas também sem sensibilidade no corpo, sem sentir o meu filho descer, encaixar, sem sentir contrações ou seja, o meu corpo a comunicar comigo. Quando me dizem que o melhor seria um parto provocado as 38 semanas porque a partir daí o bebé só está a engordar, não concordo, mas não concordo porque a indução para além de ser dolorosa para nós é também dolorosa para o bebé, as contrações são muito mais frequentes, o espaçamento entre si é diminuto e muitas das vezes a administração de oxitocina artificial produz o efeito indesejado de atrasar o trabalho de parto. Como tal penso que, a menos que seja estritamente necessário por motivos de saúde, não se deve induzir um parto sem que sejam ponderadas todas as hipóteses.

Felizmente, apesar de ter sido induzida na primeira gravidez, por motivos de saúde, foi tudo muito célere, mas não há nada como estrar em trabalho de parto espontaneamente, é simplesmente maravilhoso a forma como o nosso corpo comunica connosco; e digo isto depois de ter passado 3 dias em TP em casa e ter recusado 2 internamentos precisamente para evitar administração de oxitocina artificial ás 41+1 semanas. Mas se for ao terceiro ainda há coisas que quero mudar, como por exemplo a episiotomia, que é feita por rotina e na maioria das vezes é completamente desnecessária e acaba por ser prejudicial á recuperação da mulher, sob o mito de que rasgar os tecidos é muito pior. Isso acontece porque na maioria das maternidades não é permitido á mulher parir na posição que lhe é mais confortável, como por exemplo de cócoras. Ou ainda o corte precoce do cordão umbilical, uma vez que deve deixar de pulsar antes do corte, é nessa altura que o bebé absorve imensos nutrientes que ajudam na prevenção da anemia no primeiro ano de vida, pois o bebé ganha cerca de 100 ml de sangue a mais pelo cordão umbilical até ao 3º minuto de vida.

Felizmente posso fazer comparações, dois partos, duas experiências, duas histórias tão lindas mas tão distintas para contar.

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