Por vezes travo a língua para que não digam que tenho a
mania de "chica esperta". Gosto de falar das coisas com a
frontalidade merecida e fundamento bem a minha opinião, caso contrário não a
manifesto.
Como já disse anteriormente, o tema da gravidez suscita-me
muito interesse, como tal, para além de experiência pessoal, gosto de ler sobre
o assunto ...e ás vezes leio com cada coisa....
Estive grávida duas vezes e foram completamente distintas,
mas ambas foram experiências maravilhosas, que me possibilitaram distinguir o
que acho ser o melhor , porque felizmente tive essa opção.
Quando me dizem que o ideal é levar epidural porque se evita
dor e se disfruta do parto da melhor forma, não posso concordar. Mas, o que me
permite discordar desta premissa é o facto de ter passado pelas duas
experiências. O primeiro parto com epidural, sem dor, mas também sem sensibilidade
no corpo, sem sentir o meu filho descer, encaixar, sem sentir contrações ou
seja, o meu corpo a comunicar comigo. Quando me dizem que o melhor seria um
parto provocado as 38 semanas porque a partir daí o bebé só está a engordar,
não concordo, mas não concordo porque a indução para além de ser dolorosa para
nós é também dolorosa para o bebé, as contrações são muito mais frequentes, o espaçamento
entre si é diminuto e muitas das vezes a administração de oxitocina artificial
produz o efeito indesejado de atrasar o trabalho de parto. Como tal penso que,
a menos que seja estritamente necessário por motivos de saúde, não se deve
induzir um parto sem que sejam ponderadas todas as hipóteses.
Felizmente, apesar de ter sido induzida na primeira
gravidez, por motivos de saúde, foi tudo muito célere, mas não há nada como
estrar em trabalho de parto espontaneamente, é simplesmente maravilhoso a forma
como o nosso corpo comunica connosco; e digo isto depois de ter passado 3 dias
em TP em casa e ter recusado 2 internamentos precisamente para evitar administração
de oxitocina artificial ás 41+1 semanas. Mas se for ao terceiro ainda há coisas
que quero mudar, como por exemplo a episiotomia, que é feita por rotina e na
maioria das vezes é completamente desnecessária e acaba por ser prejudicial á
recuperação da mulher, sob o mito de que rasgar os tecidos é muito pior. Isso
acontece porque na maioria das maternidades não é permitido á mulher parir na posição
que lhe é mais confortável, como por exemplo de cócoras. Ou ainda o corte precoce
do cordão umbilical, uma vez que deve deixar de pulsar antes do corte, é nessa
altura que o bebé absorve imensos nutrientes que ajudam na prevenção da anemia
no primeiro ano de vida, pois o bebé ganha cerca de 100 ml de sangue a mais
pelo cordão umbilical até ao 3º minuto de vida.
Felizmente posso fazer comparações, dois partos, duas
experiências, duas histórias tão lindas mas tão distintas para contar.

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